Tem uma coisa que eu afirmo: Quem é apaixonado pelo o que faz é motivado e nesse caso a inversão dos fatores não altera o resultado; quem é motivado é apaixonado.

O trágico episódio que ocorreu na Cidade do Samba (07/02/2011) é a prova mais recente de que basta ser apaixonado para que rapidamente surjam as grandes parcerias, as pessoas unidas para fazer “a coisa andar”, mais paixão pelo samba e pelo carnaval.
Estrategicamente todos, inclusive os rivais e/ou concorrentes, se uniram e se solidarizaram para resolver os problemas para não deixar com que o carnaval perca seu brilho e seu esplendor. A união deles vai transformar esse carnaval em mais um espetáculo e quisá até o mais bonito dos últimos anos.
Concluo isso, pois ele será a prova da paixão. E essa é a motivação maior de todos os envolvidos.
Digo isso não apenas para as comunidades que vivem do samba, me refiro a qualquer profissão. A motivação de qualquer profissional é paixão pelo o que faz.

Minha empregada de muitos anos, a qual chamo de “anjo-da-guarda”, uma vez me falou com um sorriso largo no rosto que se houvesse reencarnação ela queria voltar como faxineira, porque o que ela realmente gosta de fazer é limpar e organizar uma residência. E acrescentou que a casa precisava ter o que limpar e que de preferência fosse bagunçada, para no final do dia ela ver que fez diferença e que alcançou seus objetivos no final do expediente.
Deixando claro que limpar a mesma casa todos os dias não tinha graça, pois a residência a acabava ficando sempre limpa e ela não teria mais a incentivo para ir trabalhar.

Uma das minhas amigas enfermeiras vê a sua motivação em ajudar aqueles que sofreram perdas sem tamanho. O sonho dela era ter ido para o Haiti ajudar os sobreviventes dos terremotos que devastaram tudo. Entre outros desastres que ela queria ter ido, mas por outros problemas não pode. Porém na última tragédia da área serrana do Rio de Janeiro, ela foi e essa era a motivação dela: a paixão por poder ajudar as famílias que sofreram perdas enormes. Nesse caso incentivada pelo seu órgão contratador.

No livro “O futuro da administração” do guru do management, Gary Hamel há a afirmação de que a paixão pode sim fazer com que as pessoas cometam atos estúpidos. No entanto, ela é o molho secreto que transforma a intenção em realização. “Pessoas com paixão, transpõem obstáculos e recusam-se a desistir. A paixão é contagiante e é capaz de transformar campanhas de uma só pessoa em movimentos de massa”. Segundo ele, o entusiasmo sem medida é que torna os apaixonados tão interessantes. É esse entusiasmo que leva o apaixonado a doar o melhor de si. “Uma pessoa com paixão é melhor que quarenta pessoas simplesmente interessadas”,

O consultor da Nodal Consultoria, e professor do MBA da Fundação Instituto de Administração (FIA), Luis Eduardo de Carvalho observa que “Muitas empresas temem ser mal interpretadas ao tentar falar de paixão ou incluí-la entre seus valores e missão, por isso não o fazem”. Ele ainda alega que “poucas são as empresas que enxergam a importância desse sentimento”.

Percebesse que de uma maneira geral, a maioria das empresas surgem da paixão do seu criador. Nos primeiros anos de funcionamento a paixão se mantém presente, motivando a equipe a crescer e lutar por maiores conquistas. Porém com o passar do tempo à paixão vai se dissolvendo e à medida que cresce o quadro de funcionários e os processos internos vão se tornando mais burocráticos, o andamento da organização acaba por esfriar.
Conseqüentemente a paixão diminui e a motivação também.

Pesquisas apontam que os seres humanos têm um lado criativo natural, que é reprimido quando entram em ambientes onde há de burocracia e racionalidade muito alto que acabam por deturpar os valores de audácia e originalidade. Hoje há um questionamento sobre o fato de as empresas manterem sistemas pouco humanos, que acabam obrigando as pessoas a não trabalharem de maneira integral, ou melhor dizendo, se alguém é divertido por natureza, porque tem que ser fechado no trabalho. Isso é para matar a paixão e por consequência a motivação.

Outros especialistas afirmam que o excesso de burocracia e controles é outra prática presente dentro das organizações e é apontada como impedimento para que a paixão floresça. Fazer com que os funcionários enxerguem o significado do próprio trabalho, é o alicerce para um ambiente de trabalho com motivação.

Segundo Roberto Adami Tranjan, palestrante sobre o tema, “O líder precisa compreender que a diminuição de controles e o aumento da liberdade de ação para os funcionários são o que vai despertar esse sentimento que cada um traz consigo e haverá a entrega plena e com ela a criatividade e inovação”. Trabalhar sem paixão traz sofrimento, por isso é importante que haja uma humanização da figura do cliente. Deixando claro para o funcionário o quanto o seu trabalho é importante para a empresa e o cliente. Sempre é ressaltado que não enxergar o todo e não entender para que serve seu trabalho, leva os colaboradores a agirem de forma ‘robotizada’, o que ao longo do tempo afeta os resultados. Isso principalmente quando se trabalha com a “prestação de serviços”.

Trabalhar as relações humanas com certeza é o mais complicado em qualquer organização. Conseguir manter a chama da paixão ativa para que a motivação não esfrie é um jogo mais complexo do que imaginamos.
Talento de quem consegue e sucesso de quem mantém.

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